cesura



«Cesura» é mais um degrau efectuado por Ernesto Rodrigues numa longa e infinita escadaria que reflecte o seu talento e a sua incansável robustez criativa. Se considerarmos «Cesura» como uma cicatriz ou como um rasgo, podemos fazer variadas e imensas leituras subjacentes a este esplendoroso trabalho. Usando a “cicatriz” como paradigma do estado actual, Ernesto Rodrigues confere com esta oitava edição da sua editora Creative Sources um “rasgo” total com tudo o que se tem feito em termos sonoros no nosso País. Dando lugar ao “ruído” abstraindo o silêncio, «Cesura» é uma composição geométrica, serial e nunca hierárquica, compreendida por um todo. A esta nova fase evolutiva de Ernesto Rodrigues, Alfredo Costa Monteiro aparece aqui como novidade no que respeita à introdução do acordeão nos trabalhos do violinista, o restante elenco faz-se representar como é habitual por Guilherme Rodrigues em violoncelo e trompete, e pelos sons mais graves expressos pelo contrabaixo eléctrico de Margarida Garcia.
«Cesura» foge da austeridade minimal para se centrar numa configuração processual, na qual a obra segue os ditames da execução. É de salientar a honestidade deste registo e de todo o trabalho de Ernesto Rodrigues, ou seja, “nada de alusões, nada de ilusões”, tudo é verdadeiro.
Carlos Lourenço, NewJazzImprov


[...] O caso português tem história por detrás. Música de corte, epistemológico e musical, cita o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo enquanto enquadramento, sobretudo ideológicos, de um processo de ruptura. «Cesura» é o resultado desse corte (entre a incisão e a cicatriz) e do “corte do corte” (o pós-modernismo, uma vez mais, em acção), naquele que Ernesto Rodrigues considera ser “o menos musical” dos seus trabalhos (aqui Dada fala mais alto). «Cesura» percorre o caminho da serpente de que falava Pessoa (o caminho iniciático oculto que contorna sinuosamente todas as regras, mesmo as herméticas), escudando-se e auto-reflectindo-se nas sombras, qual Golem predador da tradição. Não se descortinam em «Cesura» melodia, harmonia ou ritmo na acepção vulgar dos termos mas uma tensão e fragmentação contínuas, do som e do silêncio, na procura do caos primordial. Mas pode a música dispensar a matemática? Ou, em última análise, serão as fórmulas cabalísticas de «Cesura» (os títulos são combinações entre as letras da palavra) impenetráveis ao ponto de não se deixarem decifrar? No último e mais longo dos temas uma porta parece abrir-se...
Fernando Mgalhães, Público



Improvisor and composer Ernesto Rodrigues (1959) has over 20 twenty years of experience on playing the violin in the context of contemporaty and improvised music. He is a leading figure on the Portuguese scene for improvised music. In 1999 he began the Creative Sources Recordings label as an outlet for improvised music he is (often) involved in.
As earlier work shows, he is mainly interested in sound and texture. With his new one 'Cesura' this is also the case. Nothing new in this respect.
He is accompanied by his son Guilherme (1988), who choose cello and pocket trumpet as his instrument and cooperates often with his father. Alfredo Costa Monteiro (1964) is a visual artist as well as an music improvisor. Since 1995 he plays electric guitar and accordion in a diversity of collaborarions. Here on «Cesura» he plays accordion. Margarida Garcia (1977) is a double-bass player from Lisbon, and cooperated with Sei Miguel and Manuel Mota. On a day in july, 2003 they together recorded 'Cesura' at the Tcha tcha tcha Studio in Lisbon.
"This music is cut with a flick knife over the surface of silence, which is why Ernesto boasts that this is his 'least musical' work.
Each stab of sound, each sudden construction dug into the sequentiality is a mark left in time and a move, a gesture, against inertia. A poetry of remainings, in a word" Rui Eduardo Paes writes in the liner notes. Because of their focus on sound, painting is the metaphor that I find most fitting for what they are doing. Carefully and concentrated they produce little patterns on the white canvas of silence. They are not afraid of the white canvas. Silence remains their best friend, as their playing is sparse and non-spectacular. Concerning their playing, of course they do not play their instruments in a conventional way. The instruments serve as a soundsource to be generated in any thinkable way. And I must say the musicians are capable of distracting of great diversity of sounds from their instruments. We do have here a kind of music that is 'complete'. [...]
Dolf Mulder, Vital Weekly



O mais novo disco de Ernesto Rodrigues tem duas estreias na execução desta “não-música” em que dificilmente conseguimos encontrar uma nota convencional - Alfredo Costa Monteiro, portuense “exilado” em Barcelona, onde tem desenvolvido uma interessante carreira, seja com o acordeão ou com uma guitarra eléctrica tocada na horizontal e “abusada” por objectos vários, e Margarida Garcia, contrabaixista de Lisboa recentemente descoberta em Nova Iorque e em Londres e conhecida por tocar sempre o mínimo possível. Guilherme Rodrigues, o violoncelista e trompetista de 15 anos que nos habituámos a ouvir ao lado do seu pai Ernesto, é o quarto elemento. Este é o mais frugal CD que o violinista e violista já lançou, despido de efeitos, tácticas de expressão ou tecnicismos, e nunca como neste título ele esteve tão perto das escolas britânica e alemã da “micro-improvisação”. Aqui temos a resposta ao “hardcore” desta área que o acusava de ainda conjugar demasiada emoção na sua música, mas é de supor que tal tipo de postura não é para continuar - Ernesto Rodrigues sabe que o melhor da sua visão do “near silence” é a ideia criada no ouvinte de que as suas imensas contenções podem estar na iminência de explodir. Aqui, é como se estivéssemos já na ressaca da explosão.
Rui Eduardo Paes, JL



Avendoci a che fare solo attraverso i dischi che pubblica, l’etichetta portoghese della Creative Sources la immaginiamo, in termini più ampi, come una factory dai mille intrecci e iniziative. Forse ancora poco sviluppata ma sicuramente piena di vita. Gli artisti che ruotano intorno ad essa si confrontano e interagiscono tra di loro come una piccola famiglia al cui vertice possiamo individuare senza dubbio alcuno Ernesto Rodrigues, di questa il fondatore. I cambi di formazioni sono frequenti, tra dischi e attività dal vivo, e d'altronde anche questo è alla base della musica improvvisata; verrebbe da dire che scambiando l’ordine dei fattori il risultato non cambia. In realtà non è sempre così, fortunatamente; in questo nuovo «Cesura» sembra abbiano trovato uno degli assetti ideali. Il quartetto è così schierato: Ernesto Rodrigues alla viola, Guilherme Rodrigues alle prese con cello e pocket trumpet, Margarita Garcia all’elettric double bass e Alfredo Costa Monteiro, già apprezzato recentemente per i suoi lavori con Cremaster e I Treni Inerti, col suo fedelissimo accordion. Le prime due tracce, dalla durata contenuta, mostrano un approccio all’impro dai risvolti molto interessanti; qui la strumentazione messa a servizio, e l’uso che se ne fa di essa, spinge verso un crescendo sonoro con tromba, cello e viola sovrapposti a creare un suono stridulo e tagliente fino ad arrivare, nella parte centrale della seconda traccia, ad assumere le fattezze di una sega affilata, tutto questo mentre basso e accordion arricchiscono il quadro con essenziali tocchi percussivi. Negli ultimi due episodi invece, l’atmosfera si fa ad ampio respiro, il suono diventa dilatato e minimale pur tuttavia abbracciando in qualche rara occasione una inaspettata forma di fraseggio in senso lato. Per questo che mi sembra uno dei migliori prodotti licenziati della Creative Sources, la stessa non rinuncia anche stavolta a due che sono gli elementi forti che caratterizzano le sue uscite: una produzione molto attenta e dei suoni bellissimi, e i risultati in termini di qualità, ancora una volta, si vedono.
Alfredo Rastelli, Sands-Zine



This music is material, ductile and erudite at the same time; when four instrumental entities make you forget their original voice, fusing together into a single creeping lesson in economy of means, something good has surely occurred. "Cesura" is omnirange, pressurized, apparently of scarce visibility yet often quite knockabout...only to fall into the long arms of silence, again. The musicians maltreat their instrumental extensions, bending them to their needs; the instruments respond accordingly, turning into a mass of fuming ashes from where small firelights and tiny pops crackle incessantly. This is a sort of an auto-orchestration in the middle of a forgotten place where microsurgery and raw splinters of rotten wood weigh just the same - and where rusty is more beautiful than shiny. Another important chapter of Creative Sources' ever-so-involving history.
Massimo Ricci, Touching Extremes



The inside notes are going to help me out a little bit with this one: “Cesura is a Portuguese word which refers both to the act of cutting and to the scar that very same act produces. Cause and effect simultaneously…this music is cut with a flick knife over the surface of silence, which is why Ernesto boasts that it is his least musical work.” . Silence is a prevalent force in this recording, but it is dominated by short lacerations of sound that scar its precious loneliness with ugly tokens of violence. This is minimalism at a stab. I think that it is very important to understand the concept before jumping head first into this recording. Without knowledge of intent, this could be much more easily dismissed as random noise. Now I know, and I can feel the pain. This is pretty beautiful in its strange combination of abstract and graphicness.
Neo-Zine



The most daring experimental music is often met with great scepticism. This quartet marvelously represents the paradox of cutting-edge music: the trained ear almost immediately detects an incredible level of focus in the playing and an astounding resourcefulness in obliterating idiosyncratic clichés -- yet the common listener hears only scratches and grunts and will most likely call it a con or judge it as not being music at all. Viola player Ernesto Rodrigues, his son cellist Guilherme, bassist Margarida Garcia (playing an electric double bass, a rare choice among free improvisers) and accordionist Alfredo Costa Monteiro all focus their attention on the sound conceived as a material object, thrown into the tri-dimensional space comprised between the listener’s ears. Their music carries the labor of having to make critical artistic choices every tenth of a second, the joy of succeeding in doing so, and the excitement of four artists communicating on a level that is both highly intellectual (in its abstraction) and deeply atavistic (in its coming back to an unregulated form of expression). What does all this rambling say about the music?, you may ask. It says that the music consists of softly screeching strings, of an accordion being scratched and tapped (a note is occasionally squeezed out, at the threshold of a vibrating reed), of a bass purring away -- music redefining itself while redefining your understanding of music, constantly sidestepping your expectations. The intersecting discourses are articulated in cut sequences, like alexandrine verses and their pauses (“cesura” in Portuguese). This is a stunning recording.
François Couture, AMG



«Cesura» is the latest in a series of Creative Sources releases that feature Portuguese violinist / violist Ernesto Rodrigues in company with various improvisers. Rui Eduardo Paes reports Rodrigues as saying that «Cesura» is his least musical work. Maybe so, but it is also one of his best. The instruments listed as appearing on «Cesura» include a pocket trumpet and an accordion. No doubt these play essential parts in the group’s sound, but it is Ernesto Rodrigues’s viola, Guilherme Rodrigues’s cello and Margarida Garcia’s electric double bass that appear to predominate. Bows are dragged slowly over strings and other parts of the instruments, producing an array of slowly unfolding microtonal creaks, shrieks, groans and howls of different pitches, timbres and textures. Instruments are also plucked, rubbed, struck and twisted, yielding complementary layers of sharp percussive retorts, splintering sounds, and other plangent expressions of distressed wood and steel. At times the music rises to an agitated hubbub, but there is no tedious Bell Curve of intensity and activity; the musicians evidently feel under no compulsion to play continuously, and contributions and interactions are often quickly superseded by pensive intermissions. Repeatedly punctuated by silence in this way, the music slowly unfolds with a claustrophobic vividness and considerable melancholy power. If such description makes the music sound somewhat sepulchral, so be it: “cesura” is Portuguese for “cut”, and it is not entirely fanciful to think of Rodrigues and his companions as carving up the decayed corpse of the traditional chamber string ensemble, replete with its putrescent inheritance of conventional instrumental techniques and tonal repertoire, in search of a new and unlovely revenant better suited to desperate and disillusioned times. In so doing, they have produced an excellent recording, full of a dark and sanguinary beauty all its own. Strongly recommended.
Wayne Spencer, Paris Transatlantic


[…] Again rather difficult to describe except, maybe, as a cascade of textures, irregularly spaced, in fourfold depth, one after another (or four after four others), as varied and alike as people walking by on the street. As with much of the other music here, there’s such a convincing evocation of space surrounding the sounds, that one accepts the proceedings almost in a trompe l’oeil sense. Whatever sound emerges, sounds right. There’s dryness but not aridity, instruments whispering past each other, glancing off, rolling under. Have I mentioned how granular these guys are? […] Everything heard here reinforces my ongoing conviction that some of the finest, most distinctive new music around is being created between Barcelona and Lisbon. Check it out.
Brian Olewnick, Bagatellen



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